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Economia

A lição do visionário Ignacy Sachs para o futuro dos investidores

O economista argumentava que o combate à pobreza e à desigualdade deveria andar de mãos dadas com a proteção ambiental

Fernanda Camargo com a colaboração de Gustavo Carvalho.
18 ago 2023
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O economista argumentava que o combate à pobreza e à desigualdade deveria andar de mãos dadas com a proteção ambiental

 

Muitas vezes demoramos anos para entender o que alguém tentou nos explicar e não conseguimos compreender, pois não estávamos prontos. Os visionários, aqueles com pensamento inovador, criativo e inventivo, muitas vezes conseguem enxergar a realidade de outro jeito e a sociedade pode levar anos para compreender.

Olhando para trás e analisando sua obra, Sachs já na década de 1970 reconheceu a urgência de abordar as complexas interações entre fatores econômicos, sociais e ambientais na busca do desenvolvimento. Sua abordagem holística e ênfase na sustentabilidade influenciaram gerações de economistas, formuladores de políticas e ativistas, moldando o discurso sobre como o desenvolvimento deve ser buscado para garantir um futuro melhor para todos, preservando o planeta.

Já naquela época, ele argumentava que o combate à pobreza e à desigualdade deveria andar de mãos dadas com a proteção ambiental. Essa abordagem desafiou a noção predominante de que o desenvolvimento era apenas sobre o crescimento econômico e abriu o caminho para uma agenda de desenvolvimento mais inclusiva e ambientalmente consciente.

Defensor da “estratégia de necessidades básicas”, Sachs enfatizava o fornecimento de serviços essenciais e a melhoria das condições de vida dos mais pobres. Acreditava que as políticas de desenvolvimento deveriam priorizar o atendimento das necessidades humanas fundamentais, como acesso à água potável, saneamento, saúde e educação. Essa abordagem contrastava com outras que se concentravam apenas no crescimento do PIB, sem garantir que os benefícios fossem distribuídos equitativamente.

Ele enfatizava a importância de um “diálogo Norte-Sul”, que pedia cooperação e colaboração entre os países mais ricos e os mais pobres para enfrentar os desafios globais. Seu trabalho procurou preencher a lacuna entre os interesses econômicos das nações desenvolvidas e as necessidades de desenvolvimento do Sul Global.

O IFRS (International Financial Reporting Standard) é uma entidade que dita um conjunto de normas contábeis reconhecidas globalmente, desenvolvidas pelo International Accounting Standards Board (IASB). O objetivo do IFRS é garantir consistência, transparência e comparabilidade nos relatórios financeiros em diferentes países e setores.

Em 2021, na COP26 em Glasgow, foi criado o International Sustainability Standards Board (ISSB) que desde então vem desenvolvendo padrões que resultarão em uma linha de base global abrangente e de alta qualidade de divulgações de sustentabilidade focadas nas necessidades dos investidores e dos mercados financeiros.

Em junho deste ano, o ISSB, que é o órgão do IFRS para padronização de relatórios relacionados à sustentabilidade, emitiu suas primeiras normas, o IFRS S1 e o IFRS S2. Essas normas ajudarão a aumentar a confiança nas divulgações das empresas sobre sustentabilidade para embasar as decisões de investimento de investidores. E, pela primeira vez, criam uma linguagem comum para divulgar o efeito dos riscos e oportunidades relacionados ao clima sobre as perspectivas de uma empresa.

O IFRS S2 por sua vez é focado em questões climáticas Aqui entram tanto os impactos que o clima pode ter nas operações de uma empresa, incluindo uma análise de diferentes cenários de mudanças climáticas, quanto informações sobre as emissões de carbono, metas de redução e compromissos assumidos. Essas informações são relevantes para todas as partes interessadas de modo mais amplo. Por exemplo, gestores de fundos que têm uma preocupação em reduzir a pegada de carbono dos investimentos de seus clientes irão usar o S2 em sua tomada de decisão. Porém, a parte social, que ainda é muito importante para países como o Brasil, não foi incluída no reporte.

Além da padronização e simplificação, a grande mudança foi dar relevância a questões relacionadas à sustentabilidade. O IFRS é a referência global em padrões de contabilidade e amplamente usado pelas maiores empresas do mundo.

Apesar de o IFRS S1 e S2 ainda não serem obrigatórios, com o tempo poderão ser incorporados ao padrão de contabilidade financeira do IFRS. Isso sim impactaria diretamente o resultado das empresas. Quando esse momento chegar, todos os investidores deverão considerar critérios ambientais, sociais e de governança (conhecidos como ESG) em sua tomada de decisão.

*Com a colaboração de Gustavo Carvalho.

 

Fonte: Estadão

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